A inadimplência de aluguel no Rio de Janeiro subiu em maio, com taxa de 3,92%, aumento de 0,15 ponto percentual em relação a abril (3,77%). Na comparação ano a ano, a taxa se mostra quase a mesma do período equivalente em 2025 (3,93%), com variação de apenas 0,01 ponto percentual. O indicador ficou ainda acima da média nacional, que foi de 3,22% no mês. Os dados são do Índice de Inadimplência Locatícia (IIL) da Superlógica, principal plataforma de soluções tecnológicas e financeiras para o mercado do morar.
Para Manoel Gonçalves, Diretor de Negócios para Imobiliárias do Grupo Superlógica, “embora maio tenha registrado uma alta pontual, ainda é cedo para determinar se haverá uma tendência de crescimento. Mas, o estado permanece acima da média nacional, e isso merece atenção, pois inflação e juros continuam pressionando os gastos fixos das famílias e podem comprometer a capacidade de pagamento dos locatários adiante”.

No recorte por regiões, o Nordeste continua liderando o ranking de inadimplência do país, com uma taxa de 5,39% – alta de 0,41 ponto percentual ante abril (4,98%). Em seguida aparece o Norte, com 4,38%, variação de apenas 0,01 ponto percentual sobre os 4,37% do mês anterior. Na sequência vêm Sudeste (3,15%, após marcar 2,94% em abril) e Centro-Oeste (2,85%, redução de 0,12 p.p. em relação ao mês anterior), que inverteram suas posições pela primeira vez desde novembro de 2025. Por fim, o Sul se mantém com a menor taxa do país, 2,67%, apesar do leve aumento de 0,02 ponto percentual frente ao último registro (2,65%).
Por tipo de imóvel, a região Sudeste registrou aumento em todas as categorias em maio. Os comerciais seguem à frente, com 4,16%, alta de 0,24 ponto percentual em relação a abril (3,92%); as casas foram de 3,20% em abril para 3,62% em maio, e aparecem em segundo lugar; e, por último, os apartamentos, que voltaram à mesma taxa de março, 2,27%, aumento de 0,27 p.p. ante os 2% do mês anterior.
No âmbito nacional, entre a base nacional analisada por faixa de valor, quase todas as faixas registraram aumento, mas os imóveis com aluguel de até R$ 1.000 continuam liderando. Entre os residenciais, a inadimplência nessa faixa ficou em 6,31% contra 5,56% no mês anterior. Nos comerciais, fechou o período em 7,60%, ante 7% em abril. A única que demonstrou queda foi a de locações comerciais de R$ 8.000 a R$ 13.000, que reduziu de 4,15% para 3,99% (redução de 0,16 p.p.). As faixas com inadimplência mais baixa foram residenciais e comerciais entre R$ 2.000 e R$ 3.000, com 1,91% e 3,52%, respectivamente.
Os aluguéis acima de R$ 13.000 também tiveram um aumento considerável, especialmente os residenciais, que subiram 1,64 ponto percentual e alcançaram 6,16% de inadimplência em maio, frente aos 4,52% de abril. Entre os comerciais, a alta foi de 0,47 p.p., fechando o período com taxa de 4,90% contra 4,43% do mês anterior.
“Os contratos de maior valor seguem preocupando as imobiliárias e administradoras pelo impacto financeiro que representam. Quem aluga um imóvel acima de R$ 13.000, geralmente, tem renda familiar acima de R$ 40.000, três vezes o valor do aluguel, dentro da margem de segurança padrão. Mas esse perfil é, em grande parte, composto por empreendedores, comerciantes e empresários. E o empresário brasileiro está sob pressão real: carga tributária crescente, menor giro da economia, crédito mais caro”, analisa Gonçalves.
Na análise por tipo de imóvel, os três segmentos registraram aumento em maio. A maior variação foi verificada nas casas, que subiram de 3,31% em abril para 3,69% em maio. A inadimplência dos apartamentos ficou em 2,35%, ante 2,11% em abril; e a dos imóveis comerciais foi de 4,21% para 4,39%.
