Embora a gripe e os resfriados sejam frequentemente confundidos pela população, a influenza representa uma séria preocupação para a saúde pública e a economia. Estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que, anualmente, ocorrem cerca de 500 milhões de casos de gripe sazonal no mundo, dos quais 3 a 5 milhões evoluem para quadros graves. No Brasil, o inverno de 2026 tem se mostrado um dos mais desafiadores para o setor corporativo.
A nova edição do Boletim InfoGripe da Fiocruz sinaliza um aumento contínuo, em todo o território nacional, do número de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). Este cenário é impulsionado principalmente pelas hospitalizações pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR) e, em diversas regiões, pela Influenza A e pelo rinovírus. A análise destaca que todas as unidades da Federação apresentam incidência de SRAG em nível de alerta, de risco ou de alto risco nas últimas semanas.
Com o contágio acelerado em ambientes de alta circulação, condomínios residenciais e complexos empresariais podem enfrentar uma escalada nos índices de contaminação e absenteísmo de suas equipes de funcionários e prestadores de serviços, impactando a segurança e a continuidade operacional. Diante deste cenário, a ABRALIMP (Associação Brasileira do Mercado de Limpeza Profissional) alerta que a higienização de áreas comuns não é um item de manutenção básica ou estética, mas sim uma ferramenta crítica de gestão de riscos e de saúde preventiva.
“A limpeza profissional é a primeira linha de defesa de uma organização. Quando falamos em higienização técnica, não estamos tratando de estética ou de ‘deixar o ambiente cheiroso’, mas sim de saúde pública e de continuidade operacional”, ressalta Fábio Stort, diretor da câmara setorial de químicos da ABRALIMP. “Um ambiente corporativo que não investe em protocolos rigorosos de desinfecção está, na prática, aceitando um risco financeiro evitável relacionado ao afastamento de talentos. A percepção do mercado sobre a higiene precisa evoluir para acompanhar a realidade epidemiológica atual.”
Cinco dicas estratégicas para condomínios – Para auxiliar síndicos, administradores condominiais e gestores de facilities a enfrentarem o pico de doenças respiratórias, a ABRALIMP elencou cinco pilares estratégicos que transformam a limpeza em uma barreira eficaz contra a propagação
de vírus em ambientes fechados e áreas compartilhadas:
- Foco em pontos de alto contato: a transmissão indireta ocorre frequentemente por meio de superfícies compartilhadas. Em condomínios, é fundamental intensificar a frequência de limpeza de botões de elevadores, corrimãos de escadas, maçanetas de áreas comuns, halls de entrada e painéis de catracas ou portarias. Estes locais exigem atenção contínua e os produtos certos para garantir a segurança entre os ciclos de limpeza.
- Gestão da qualidade do ar e climatização: em períodos de frio, a circulação de ar natural é reduzida, tornando os sistemas de ar-condicionado de salões de festas, academias e escritórios os principais vetores de dispersão de partículas. A manutenção dos filtros e a higienização dos dutos, seguindo o Plano de Manutenção, Operação e Controle (PMOC), são inegociáveis para evitar a concentração de microrganismos.
- Diferenciação entre limpeza e desinfecção: muitas administrações falham ao confundir os conceitos. A limpeza remove a sujidade visível, mas apenas a desinfecção, realizada com agentes químicos específicos nas áreas comuns e de lazer, elimina patógenos como o vírus da gripe e o VSR.
- Uso de produtos saneantes registrados: o uso de produtos informais ou “piratas” ou “misturinhas” coloca em risco a saúde dos ocupantes e não garante a eliminação dos vírus. A ABRALIMP recomenda apenas o uso de saneantes registrados na ANVISA, com eficácia comprovada e laudos de biodegradabilidade, alinhando a saúde dos colaboradores às metas de ESG da companhia.
- Treinamento e capacitação da equipe: a eficácia da higienização depende diretamente do fator humano. Equipes treinadas sabem o tempo de contato necessário para que o produto químico faça efeito e utilizam técnicas de limpeza colorimétrica (panos de cores diferentes para cada área) para evitar a contaminação cruzada entre ambientes, como banheiros e estações de trabalho.
A associação reforça que a contratação de empresas especializadas e o uso de tecnologia de ponta são os caminhos mais curtos para a eficiência operacional. “Ao adotar protocolos de limpeza profissional, as organizações não apenas protegem seu capital humano, mas também fortalecem sua marca empregadora. Em um mercado cada vez mais atento ao bem-estar, garantir um ambiente de trabalho biologicamente seguro é um diferencial competitivo indispensável para 2026”, finaliza Luciana Lucio, diretora da câmara setorial de prestadores da entidade.
