Brinquedotecas e playgrounds desempenham um papel central no desenvolvimento motor, cognitivo e social das crianças. No entanto, em períodos de alto fluxo, como o Verão e momentos de picos epidemiológicos, o fluxo contínuo de frequentadores transforma esses locais em pontos de alta circulação de vírus e bactérias.
Diante deste cenário, a Abralimp (Associação Brasileira do Mercado de Limpeza Profissional) destaca que a higienização de espaços recreativos não é um item de manutenção básica, mas sim uma ferramenta crítica de gestão de riscos e de saúde preventiva.
A vulnerabilidade do sistema imunológico infantil, ainda em fase de formação, exige um cuidado que vai além da limpeza superficial. Ambientes com higienização inadequada facilitam a disseminação de doenças respiratórias, gastrointestinais e dermatológicas, afetando não apenas as crianças, mas também seus núcleos familiares, professores e cuidadores.
“Existem as doenças transmitidas pelo ambiente, como infecções por rotavírus e norovírus, que causam diarreia, e as transmitidas pelo contato entre pessoas, como gripe, sarampo, bronquiolite, covid, caxumba e varicela”, explica o médico infectologista Dr. Marcos Antonio Cyrillo, diretor da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI).
Sobrevivência de microrganismos nas superfícies
O acúmulo de sujeira e agentes patogênicos em brinquedos e equipamentos pode ocorrer mesmo quando não há contaminação visível a olho nu. Determinados microrganismos mantêm sua capacidade infecciosa em superfícies inanimadas por períodos prolongados.
“Existem bactérias que podem permanecer no meio ambiente por até três anos, como a Klebsiella, por exemplo. Outros vírus podem permanecer por horas, dias ou até semanas”, ressalta o médico infectologista. De acordo com o especialista, o estabelecimento de procedimentos corretos de higienização com água e detergente neutro é capaz de reduzir de 30% a 50% a ocorrência de contaminações cruzadas nesses espaços.
Frequência operacional e escolha de insumos
A dinâmica do brincar envolve o toque constante em diferentes materiais e o contato das mãos com as mucosas. Diante dessa realidade, a definição de um protocolo claro com a frequência e os procedimentos de limpeza garante a manutenção constante da segurança biológica dos ambientes.
“Brinquedotecas e playgrounds são ambientes mais suscetíveis a contaminações, já que as crianças tocam em todas as superfícies e nos objetos e, posteriormente, levam as mãozinhas até as mucosas e até mesmo os próprios objetos”, afirma Fernanda Cerri, Gerente de Operações da Indeba, fabricante de produtos químicos de limpeza profissional.
Além da periodicidade, a escolha dos produtos utilizados exige critério técnico. Victor Sodré, Diretor de Operações da Limpidus, empresa especializada em limpeza escolar, destaca a importância do preenchimento de checklists com data e horário das atividades e faz um alerta sobre os insumos utilizados.
Segundo ele, produtos multiuso com fragrâncias intensas devem ser evitados, pois podem desencadear crises alérgicas em algumas crianças.
Para auxiliar gestores e equipes operacionais, a ABRALIMP recomenda a seguinte estrutura de frequência para áreas infantis:
- Diariamente: Limpeza e desinfecção dos pontos de alto contato, incluindo corrimãos, maçanetas, mesas, correntes de balanços, escorregadores, bordas da piscina de bolinhas, bancadas e brinquedos educativos, além da varrição das áreas externas;
- Semanalmente: Lavagem da área externa, limpeza das partes altas, vidros e esquadrias;
- Quinzenalmente: Retirada total das bolinhas e limpeza profunda do fundo da piscina com detergente neutro.
Higiene pessoal e diretrizes regulatórias
A higienização dos ambientes deve ser integrada às práticas diárias de higiene pessoal. A lavagem das mãos com água e sabonete é a principal medida sempre que houver sujeira visível, antes das refeições, após o uso do banheiro e depois de tossir ou espirrar. “O álcool em gel deve ser utilizado somente quando as mãos estão visivelmente limpas”, reforça o Dr. Cyrillo.
Órgãos de fiscalização como a Anvisa e a Covisa (Coordenadoria de Vigilância em Saúde) oferecem manuais que orientam desde a instalação de uma brinquedoteca até protocolos de higienização, como o manual do programa “Brincar é coisa séria”.
A Abralimp ressalta que o alinhamento entre a capacitação de equipes profissionais, a utilização de produtos devidamente registrados na Anvisa e a participação ativa dos responsáveis — mantendo crianças sintomáticas em repouso — assegura que esses espaços cumpram verdadeiramente seu papel no desenvolvimento infantil saudável.
