Som alto, regras ignoradas, dificuldade de diálogo e comportamentos individuais que esbarram no direito do vizinho. A vida em condomínio reúne diferentes perfis de pessoas em um mesmo espaço e transformar essa convivência em uma relação harmoniosa continua sendo um dos principais desafios para moradores e gestores.
Uma pesquisa realizada durante a SindExpo São Paulo 2026, feira voltada ao mercado condominial, mostra que o desrespeito às regras aparece como a principal causa de conflitos nos condomínios para 43,9% dos entrevistados. O barulho ocupa a segunda posição, citado por 30,3%.
O levantamento ouviu participantes ligados ao universo condominial, entre eles, síndicos moradores e profissionais, conselheiros, representantes de administradoras e outros profissionais que atuam no setor.
A frequência dos conflitos também chama atenção: 89,4% dos entrevistados afirmaram já ter presenciado alguma situação entre moradores que exigiu a intervenção do síndico ou da administração.
“Condomínio é um exercício diário de vida coletiva. Muitas vezes, o problema começa em uma situação aparentemente pequena, mas ganha outra proporção quando falta diálogo ou quando cada pessoa passa a considerar apenas a própria necessidade. O desafio do síndico é fazer valer as regras sem perder a capacidade de mediar relações”, afirma Ana Paula Franco, fundadora da SindExpo Brasil.
Falta de diálogo também pesa na convivência
Quando os participantes puderam indicar comportamentos que consideram prejudiciais à convivência condominial, o desrespeito às regras voltou a aparecer com destaque, citado por 54,5%. A falta de diálogo foi mencionada por 33,3% e o individualismo por 21,2%.
Os resultados apontam para um desafio que vai além da criação de regulamentos. Embora convenções e regras internas estabeleçam limites para a utilização dos espaços e para a convivência, a administração cotidiana também passa pela capacidade de comunicar essas normas e intermediar interesses diferentes.
“O regulamento é indispensável, mas nem todo conflito se resolve apenas com advertência ou multa. Uma gestão preparada precisa entender quando é necessário aplicar uma regra e quando uma conversa bem conduzida pode evitar que uma situação simples se transforme em um problema maior para toda a comunidade”, diz Ana Paula Franco.
E o grupo de WhatsApp?
Frequentemente associados a discussões entre vizinhos, os grupos de WhatsApp dividem opiniões e não aparecem na pesquisa apenas como vilões. Para 54,5% dos entrevistados, eles facilitam muito a comunicação ou ajudam mais do que atrapalham a convivência. Por outro lado, 34,8% avaliam que esses grupos são fonte frequente de conflitos ou atrapalham mais do que ajudam.
A diferença de percepção mostra que a ferramenta, por si só, não determina a qualidade da comunicação. O modo como esses espaços são utilizados e a definição de limites entre comunicação informal e os canais oficiais da administração podem influenciar a relação entre moradores e gestores.
Para a fundadora da SindExpo, os resultados reforçam a importância de incluir comunicação, mediação de conflitos e relações humanas nas discussões sobre a profissionalização da gestão condominial.
