Os modelos de portaria híbridos têm sido uma opção cada vez mais comum para os condomínios. Estes modelos tentam equilibrar segurança, economia e atendimento humano. O objetivo é reduzir a dependência da portaria 100% presencial, que tem custo elevado e também sofre com a escassez de mão de obra, mas sem transformar o condomínio em um ambiente totalmente automatizado de uma vez.
Presencial diurno + remoto noturno – Este tipo de operação é considerado como portaria híbrida: parte presencial e parte remota, com horários definidos para cada modalidade.
Neste modelo, durante o dia, o condomínio mantém porteiro presencial, normalmente no horário de maior movimento: entregas, prestadores, visitantes, etc. À noite, de madrugada, nos fins de semana ou nos horários de menor fluxo, o controle passa para uma central remota, com atendimento por câmeras, interfone, abertura remota de portões e protocolos de segurança.
A redução de custo de escala 24h (4 porteiros em escala 12 por 36) é uma das principais vantagens. O atendimento humano é mantido em horário comercial, o que diminui o impacto da mudança cultural. É especialmente interessante para condomínios de médio porte, onde o dia é movimentado, mas a noite tem fluxo menor.
É considerado o modelo mais “seguro politicamente” para aprovar em assembleia porque não elimina totalmente o porteiro e reduz custos.
Facial + porteiro anfitrião – Este modelo mantém uma pessoa presencial, mas muda a função dela. Em vez de ser o porteiro tradicional responsável por liberar tudo manualmente, ele passa a atuar como anfitrião, orientador ou apoio operacional.
A tecnologia faz a identificação e liberação dos moradores, enquanto o profissional presencial ajuda visitantes, prestadores, entregas e situações fora do padrão. Sistemas de portaria remota e digital costumam usar câmeras, biometria facial ou digital, tags veiculares, QR Code e aplicativos integrados ao controle de acesso.
Este modelo é ideal para condomínios grandes, com fluxo intenso de pessoas e de carros é intenso. Pode não ser tão interessante para condomínios de médio e pequeno porte por conta do custo da portaria tradicional mais o custo do sistema de controle de acesso.
A solução para o segundo caso, poderia ser a substituição do porteiro anfitrião para zelador durante o dia, que além de zelar pelo condomínio, ajuda visitantes, prestadores de serviços, acompanhamento de mudanças, entregas e situações fora do padrão. No período noturno poderia ter a figura da ronda noturna, que além de atuar em situações adversas, pode fazer ronda pelo condomínio.
Autônomo com suporte remoto sob demanda – Nesse modelo, o condomínio opera sem porteiro e sem central monitorando cada acesso o tempo todo. Os próprios moradores têm maior autonomia para liberar visitantes, cadastrar convidados, gerar QR Codes, abrir portões pelo app ou autorizar prestadores. A central remota entra apenas em situações específicas: falha de acesso, visitante sem autorização, emergência, interfone sem resposta ou ocorrência suspeita.
A portaria autônoma é geralmente descrita como o modelo em que os moradores controlam o acesso por aplicativo e tecnologias embarcadas, sem porteiro presencial permanente e, em alguns casos, sem central remota atuando continuamente.
Tende a ser o modelo mais econômico, reduz dependência de mão de obra e dá autonomia aos moradores, mas exige disciplina e comprometimento dos condôminos.
Funciona em condomínios de pouquíssimas unidades e que precisam reduzir custo.
Conclusão – Se o assunto for levado para uma assembleia, o foco não é vender apenas como “troca de porteiro por tecnologia”. O ideal é apresentar como reestruturação do controle de acesso e redução de custos. A tecnologia traz um controle mais rigoroso da movimentação dentro do condomínio, pois segue protocolos, dispõe de equipamentos de ponta, contingência, LGPD e não expõe tanto o morador a riscos de falhas humanas.
*Por Selma Koshoji , contabilista, administradora de empresas e fundadora do Grupo Heisei Contabilidade e Administração Condominial. Também é presidente da ACIAS (Associação Comercial, Industrial e Agropecuária de Sumaré).
