“O risco nunca foi a automação. O risco é ficar parado enquanto outros não ficam.” Com essa mensagem, Avanish Sahai, veterano do setor de tecnologia com passagens por Google Cloud, Salesforce, ServiceNow, Oracle e McKinsey, defendeu no Next 2026, maior festival de conhecimento dos mercados condominial e imobiliário, que empresas encarem a inteligência artificial como uma ferramenta para transformar tarefas, aumentar a produtividade e antecipar problemas. O evento é promovido pela Superlógica, principal plataforma de soluções tecnológicas e financeiras do setor no Brasil.
Ao longo da apresentação, Sahai comparou o avanço da IA a outras ondas tecnológicas que também foram acompanhadas pelo temor de substituição de pessoas, como a chegada dos caixas eletrônicos, dos computadores aos escritórios e do comércio eletrônico. A mensagem apresentada foi que essas tecnologias transformaram tarefas, funções e modelos de negócio, em vez de simplesmente eliminar o trabalho.
Para Sahai, a inteligência artificial acelera esse movimento ao assumir atividades repetitivas e previsíveis, como cobranças, respostas a solicitações recorrentes, agendamentos, lançamentos, pagamentos e consultas de informações. “A tecnologia automatiza tarefas. É uma ferramenta para nós, humanos, usarmos. Coisas repetitivas, ela consegue fazer de forma muito mais rápida e eficiente”, afirmou Sahai. Com a automação dessas atividades, profissionais podem dedicar mais tempo a decisões, tratamento de exceções e relacionamento com clientes, moradores e fornecedores.
No mercado de condomínios e imobiliárias, ele destacou outra mudança: a passagem de operações reativas para modelos mais proativos e preditivos. Em vez de apenas responder a um problema depois que ele surge, a tecnologia pode identificar demandas, encaminhá-las automaticamente e combinar dados para reconhecer padrões e antecipar necessidades de manutenção ou outras ocorrências.
Sahai também ressaltou que a IA deve ser utilizada como ferramenta pelas pessoas. Atividades que exigem julgamento, critérios éticos ou uma interação mais pessoal continuam dependendo da participação humana, enquanto a tecnologia assume tarefas em que repetição, velocidade e processamento de informações são mais relevantes.
Ao encerrar a apresentação, o executivo propôs um caminho prático para a adoção da tecnologia: começar por uma tarefa repetitiva, treinar as equipes – e não apenas implementar ferramentas – e deixar os dados obtidos nessa experiência indicarem o próximo passo.
A recomendação é não tentar transformar toda a operação de uma vez. Para Sahai, empresas podem começar por um processo concreto, aprender com a aplicação da tecnologia e ampliar seu uso a partir dos resultados.
