A reforma tributária vem sendo discutida como uma mudança estrutural para empresas e governos, mas na prática ela já começa a afetar diretamente a rotina financeira dos condomínios, principalmente naquilo que, muitas vezes, representa a maior parte do orçamento: os contratos de terceirização.
Quando falamos de serviços como portaria, limpeza, segurança e manutenção, estamos lidando com operações altamente dependentes de mão de obra. E é justamente nesse tipo de atividade que a mudança na lógica de tributação tende a gerar mais impacto.
Hoje, muitos desses contratos foram estruturados dentro de um modelo tributário que está deixando de existir. Com a substituição de tributos como PIS, Cofins, ISS e ICMS por CBS e IBS, a forma como as empresas terceirizadas calculam seus custos muda. E quando o custo muda, o contrato inevitavelmente entra em revisão.
Na prática, o que tenho observado é um aumento na incerteza.
Empresas prestadoras de serviço ainda não têm clareza total sobre qual será sua carga tributária efetiva no novo modelo. Diante dessa falta de previsibilidade, o comportamento natural é proteger margem, seja por meio de reajustes diretos ou pela incorporação de uma margem de segurança nos contratos.
Esse movimento não fica restrito ao prestador. Ele chega ao condomínio.
Em muitos empreendimentos, especialmente os de médio e alto padrão, os serviços terceirizados representam entre 30% e 60% do custo total de operação. Isso significa que qualquer variação nesses contratos tem impacto direto na cota condominial.
Outro fator que merece atenção é a estrutura dos contratos vigentes.
Grande parte deles não prevê, de forma clara, o que acontece em caso de mudanças estruturais no sistema tributário. Isso abre espaço para conflitos. De um lado, a empresa terceirizada argumenta necessidade de reequilíbrio econômico. Do outro, o condomínio resiste ao aumento. No meio disso, está a continuidade do serviço.
Esse tipo de discussão já começa a surgir na prática.
Por isso, a recomendação é antecipar o problema. Síndicos e administradoras precisam revisar contratos, entender a composição de custos dos prestadores e avaliar o nível de exposição a variações tributárias. Não se trata apenas de negociar preço, mas de compreender o modelo.
Existe também um ponto importante: nem todas as empresas terceirizadas serão impactadas da mesma forma. Prestadores com melhor gestão tributária tendem a absorver melhor essa mudança e podem até se tornar mais competitivos, abrindo espaço para uma revisão mais estratégica da base de fornecedores.
A reforma tributária, nesse contexto, deixa de ser apenas uma mudança fiscal e passa a ser um fator de gestão. Para os condomínios, isso significa uma necessidade maior de planejamento, análise e antecipação de riscos.
Por Lucas Oliveira, contador e diretor executivo da LCS Contabilidade, uma empresa de contabilidade consultiva especializada em análise de negócios, cenários e estratégias para empresas que desejam crescer com inteligência financeira. Fundada em 2018, a LCS conquistou mais de 180 clientes com um modelo de atendimento personalizado, tratando cada negócio como único e com o compromisso de gerar resultados concretos
