Depois da popularização da biometria digital e do reconhecimento facial, um novo recurso começa a ganhar espaço em condomínios: a biometria comportamental, capaz de identificar moradores a partir de padrões únicos, como modo de caminhar, postura corporal e dinâmica de movimento.
A solução, já utilizada em ambientes corporativos e sistemas de alta proteção, passa a ser incorporada como uma camada adicional de validação. Diferentemente dos métodos tradicionais, que dependem de uma ação direta do usuário, a biometria comportamental atua de forma contínua e passiva, reduzindo brechas associadas a fraudes, compartilhamento indevido de acessos ou tentativas de simulação.
Esse avanço ocorre em um cenário de aumento das ameaças em condomínios. Casos recentes indicam crescimento expressivo nos assaltos e invasões a residências no Brasil, com destaque para a cidade de São Paulo, onde quadrilhas especializadas passaram a migrar de crimes como roubos a bancos para ações coordenadas em edifícios de alto padrão, os chamados “arrastões”.
Ao mesmo tempo, a sofisticação das fraudes digitais amplia esse risco. Tecnologias como inteligência artificial e deepfakes vêm sendo utilizadas para simular identidades, enviar mensagens manipuladas e até reproduzir a voz de moradores para autorizar acessos. Quando esses fluxos dependem de validações informais ou não possuem registro estruturado, a margem para erro e invasão aumenta significativamente. Nesse contexto, torna-se indispensável adotar mecanismos mais robustos de autenticação, capazes de ir além da verificação pontual e combinar múltiplas camadas de validação.
Na prática, a biometria comportamental não substitui outras soluções, mas atua como complemento. Um morador pode ser identificado pelo rosto, validado por cadastro prévio e, ao mesmo tempo, ter seu padrão de movimentação analisado. Caso haja inconsistência entre esses elementos, o acesso pode ser bloqueado automaticamente ou direcionado para uma checagem adicional.
Apesar do avanço técnico, a eficiência da operação não depende apenas dos mecanismos de identificação, mas da forma como as informações são organizadas e validadas ao longo do processo.
Para o especialista Marcio Verderio Tahan, CEO da VTCall, empresa especializada em comunicação corporativa com inteligência artificial e automação, o principal desafio ainda está na estrutura da comunicação. “Não adianta ter múltiplas camadas de autenticação se as decisões continuam sendo tomadas com base em mensagens informais ou sem registro. A proteção depende de critérios claros e de uma comunicação estruturada. Quando decisões são tomadas fora de um ambiente controlado, sem histórico e sem validação, o risco deixa de ser tecnológico e passa a ser operacional. ”, afirma.
Soluções como centrais em nuvem, plataformas omnichannel e automação ajudam a transformar a comunicação em um ativo estratégico da operação. “Quando todas as interações passam por um ambiente controlado, com histórico, critérios definidos e validação estruturada, o condomínio reduz drasticamente o risco de erro humano e de fraudes, independentemente da tecnologia utilizada na identificação”, explica Tahan.
Nos próximos anos, o controle de acesso tende a deixar de depender de um único fator e passa a operar com múltiplas camadas integradas, combinando biometria, IA e comunicação estruturada. Assim, a gestão se torna mais analítica, orientada por dados, histórico e padrões de comportamento.
O desafio dos condomínios será garantir que esses recursos funcionem de forma integrada, com processos bem definidos e visibilidade completa das operações. É essa combinação que sustenta, na prática, um ambiente mais seguro, eficiente e preparado para riscos cada vez mais sofisticados.
