A síndica profissional Renata Simão Barbosa registrou ocorrência policial após relatar ter sido vítima de agressão física, ameaças e perseguição no Rio de Janeiro. Segundo a gestora, os episódios teriam ocorrido após uma assembleia de prestação de contas em que ela foi reeleita para o cargo com ampla maioria dos votos dos moradores.
De acordo com Renata, os conflitos já vinham acontecendo antes da assembleia. “Ela já vinha me perseguindo, mandando mensagens e dizendo que eu não iria continuar no condomínio. Ela e o marido não aceitavam a forma como eu estava conduzindo a gestão”, relata.
A assembleia, realizada no dia 25 de julho, aprovou a prestação de contas, a composição do conselho e confirmou a permanência de Renata como síndica. Segundo ela, após o encerramento da reunião, a moradora teria permanecido do lado de fora do condomínio acompanhada do marido.
“Eu fui reeleita por uma votação esmagadora. O conselho também foi aprovado. Eu estava apenas fazendo o meu trabalho da forma correta, como a gestão deve ser feita, mas eles não aceitavam”, afirma Renata.
Segundo o depoimento prestado pela síndica às autoridades, após deixar a assembleia e retornar ao condomínio onde mora, ela teria sido seguida pelo casal em uma motocicleta. Renata relata que as agressões começaram na área externa do prédio, diante de testemunhas.
“As pessoas tentaram me tirar de perto e separar a situação, mas ele dizia para deixarem ‘as duas se resolverem’. Uma moradora conseguiu me tirar e eu entrei no condomínio, mas a porta ainda não tinha fechado e as agressões continuaram dentro do prédio”, conta.
O caso foi registrado pelas autoridades e segue em apuração. Segundo Renata, imagens de câmeras de segurança, testemunhos e outros materiais foram apresentados para auxiliar na investigação.
Caso repercute nas redes e setor condominial manifesta preocupação
O Clube W Condo, comunidade formada por mulheres que atuam e transformam o mercado condominial, divulgou nota de repúdio ao episódio e manifestou indignação diante da violência sofrida por Renata, reforçando que casos como esse não podem ser tratados como situações isoladas.
Para a entidade, episódios de agressões, ameaças e intimidações contra síndicos e síndicas têm se tornado uma preocupação crescente em todo o Brasil.
“É impossível não sentir indignação diante de uma situação como essa. A violência contra síndicos e síndicas infelizmente vem se tornando recorrente, e precisamos refletir: para onde estamos caminhando? Esses profissionais assumem uma função de liderança, responsabilidade e tomada de decisões, mas muitas vezes exercem seu trabalho sem a proteção necessária”, destaca Dil Melo.
Para ela, o problema vai além da agressão física. “O dano físico ela tem tempo de cura, mas o psicológico é uma consequência imensurável. Uma situação como essa deixa marcas profundas e gera insegurança para quem exerce uma função de liderança dentro de um condomínio, por isso é fundamental avançar na criação de mecanismos que garantam mais segurança e respaldo aos profissionais do setor, afirma.
“Precisamos discutir regras mais claras, medidas de proteção e uma mudança de cultura dentro dos condomínios. Divergências fazem parte da convivência, mas ameaças e violência jamais podem fazer parte da gestão condominial”, completa.
