Quando um elevador para de funcionar, uma infiltração surge, um morador descumpre regras ou uma assembleia termina em conflito, normalmente existe uma figura que concentra toda a responsabilidade pela solução: o síndico. E para abordar toda complexidade dessa função, a advogada Vanessa Munis, que atua há mais de 13 anos na sindicatura profissional, lançará, no próximo dia 30, às 19h, na Livaria Travessa do Shopping Iguatemi (SP) o livro “A Arte de Se Posicionar no Ecossistema Condominial”.
A obra marca a estreia de Vanessa Munis como autora e reúne reflexões construídas ao longo de mais de duas décadas de atuação profissional, abordando temas como liderança, reputação, posicionamento, comunicação, autoridade e os desafios contemporâneos da gestão condominial.
Mais do que um manual técnico, o livro propõe uma reflexão sobre o papel do síndico em um cenário cada vez mais dinâmico e desafiador.
“Meu objetivo é mostrar que a gestão condominial vai muito além da administração de estruturas físicas. Estamos falando de pessoas, relacionamentos, comunidades e da capacidade de construir ambientes mais saudáveis e colaborativos.”
O lançamento acontece em um momento de forte transformação do mercado condominial brasileiro, em que temas como governança, transparência, saúde mental, tecnologia e liderança passam a ocupar espaço crescente nas discussões do setor.
Por que é uma leitura importante? Nos últimos anos, porém, a função deixou de ser apenas administrativa e passou a exigir competências cada vez mais complexas. Além de cuidar das finanças, contratos, manutenção e segurança dos empreendimentos, os gestores condominiais passaram a lidar diariamente com conflitos interpessoais, demandas emocionais, desafios jurídicos e uma crescente pressão por respostas imediatas.
O cenário acompanha uma transformação importante na forma como os brasileiros vivem. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais de 84% da população brasileira reside em áreas urbanas. Com o avanço da verticalização nas grandes cidades, os condomínios se consolidaram como modelo predominante de moradia para milhões de pessoas.
Estudos do setor apontam que o Brasil possui atualmente mais de meio milhão de condomínios e dezenas de milhões de moradores vivendo nesse modelo habitacional. Trata-se de um mercado que movimenta bilhões de reais anualmente entre manutenção, segurança, folha de pagamento, obras, serviços terceirizados e administração.
Apesar da relevância econômica e social do segmento, um tema ainda é pouco debatido: o impacto emocional da função de síndico.
Para a advogada, síndica profissional e especialista em gestão condominial Vanessa Munis, o desgaste psicológico tem se tornado uma realidade cada vez mais presente no setor.
“Os síndicos deixaram de ser apenas administradores. Hoje são líderes, mediadores de conflitos, gestores de crise e representantes de comunidades inteiras. Existe uma pressão constante por decisões rápidas, equilíbrio emocional e disponibilidade praticamente permanente”, afirma.
Segundo ela, a pandemia acelerou uma mudança que já vinha acontecendo silenciosamente.
“O condomínio deixou de ser apenas um local de moradia. Passou a ser também ambiente de trabalho, convivência, lazer e relacionamento. Isso ampliou as demandas e tornou a gestão muito mais complexa.”
Quando administrar pessoas se torna mais desafiador do que administrar prédios – Questões envolvendo barulho, animais de estimação, inadimplência, uso das áreas comuns, segurança, obras internas e locações por aplicativos estão entre os temas mais recorrentes nas disputas condominiais.
Na prática, isso faz com que boa parte da rotina dos síndicos esteja muito mais relacionada à gestão de pessoas do que à administração patrimonial.
É justamente essa mudança que Vanessa Munis procura discutir ao longo de sua trajetória profissional.
Advogada há mais de 21 anos, pós-graduada em Direito Tributário e Gestão de Pessoas, especialista em condomínios e síndica profissional certificada pela Universidade de São Paulo (USP), Vanessa atua há mais de 13 anos na sindicatura profissional. Ao longo da carreira, construiu uma atuação voltada para liderança, governança condominial, resolução de conflitos, comunicação estratégica e desenvolvimento humano.
Sua experiência prática mostrou que muitas dificuldades enfrentadas pelos gestores não estão relacionadas à falta de conhecimento técnico, mas à dificuldade de posicionamento diante das inúmeras demandas que surgem diariamente.
“Os condomínios são formados por pessoas com histórias, expectativas e interesses diferentes. O desafio do síndico moderno não é apenas aplicar regras, mas construir diálogo, gerar confiança e conduzir decisões de forma equilibrada.”
A profissionalização da sindicatura – A crescente complexidade da vida em condomínio também impulsionou a profissionalização do setor.
Cada vez mais empreendimentos buscam síndicos profissionais preparados para lidar com gestão financeira, legislação, comunicação, planejamento estratégico e mediação de conflitos.
Para Vanessa, essa transformação representa uma evolução natural do mercado.
“Durante muito tempo a sindicatura foi vista apenas como uma atividade operacional. Hoje existe uma compreensão maior de que liderar um condomínio exige preparo técnico, inteligência emocional e capacidade de gestão.”
Ela acredita que a liderança será um dos principais diferenciais dos gestores nos próximos anos.
“Os condomínios são um reflexo da sociedade. Quanto mais desenvolvemos habilidades de comunicação, relacionamento e posicionamento, melhores tendem a ser os resultados da gestão.”
