Os princípios ESG (sigla em inglês para Sustentável, Social e Governança) já são velhos conhecidos para empresas de grande porte, a sigla surgiu há mais de 20 anos em um relatório conjunto da ONU com o Banco Mundial e 20 das maiores instituições financeiras do mundo. A conclusão que chegaram deu nome ao relatório “Who Cares Wins” (quem se importa vence), o qual revela que empresas que adotam medidas para tornar o mundo melhor crescem mais.
Se engana o gestor que pensa que ESG funciona apenas para grandes multinacionais. Um condomínio sustentável não apenas gera economia direta com o uso inteligente de recursos, como também pode formar um senso de comunidade entre os condôminos e reduzir atritos tanto no cotidiano quanto em assembléias. Mas implantar esses princípios exige do síndico uma postura de gestor estratégico e proativo, que veja o condomínio como uma “mini-cidade”.
Baseado no estudo que fiz para o meu livro mais recente, “Condomínios Sustentáveis: Condomínios como mini-cidades inteligentes“, desenvolvi um checklist prático de acordo
com cada um dos conceitos
Ambiental (E): Máximo de eficiência e sustentabilidade – A sustentabilidade que não reduz custos dificilmente escala. O pilar ambiental começa pela eficiência em gerir recursos chave como água, energia e resíduos. Mais que economia, aqui o gestor deve pensar também em impacto nos arredores do condomínio.
- Gestão Energética: Priorizar o “megawatt invisível” (reduzir desperdícios) através de retrofits de LED e variadores de frequência (VFDs) em bombas. Depois investir em soluções de energia limpa, como a energia por assinatura, por unir menor preço a menor pegada de carbono;
- Eficiência Hídrica: Implementar a captação de água da chuva para áreas comuns e sistemas de reuso de águas cinzas (banhos e lavanderias), o que pode suprir até 50% do consumo do condomínio;
- Resíduos e Circularidade: Adotar a compostagem de resíduos orgânicos e a logística reversa para itens perigosos (pilhas, óleo, eletrônicos), garantindo sempre a emissão do Certificado de Descarte Legal;
- Mobilidade: Preparar a infraestrutura para carregamento de veículos elétricos e estimular a micromobilidade (bicicletas e patinetes).
Social (S): O Capital Humano das Mini-cidades – O pilar social trata de pessoas. Um condomínio sustentável investe no bem-estar de seus colaboradores e de seus moradores. O síndico moderno cuida do patrimônio, mas governa para o legado geracional das famílias que ali residem.
- Capacitação da equipe constante: Uma equipe bem informada e preparada tem mais autonomia, mais confiança e menos estresse na rotina de trabalho. Isso contribui não só para a qualidade do trabalho em si, como também para um melhor relacionamento da equipe com os condôminos e “cabeça fria” para resolver problemas;
- Acessibilidade total: Idosos, mães com carrinhos de bebê e pessoas com deficiência devem ter acesso completo a todas as áreas do condomínios que um morador sem qualquer dificuldade de mobilidade teria. A instalação de rampas, barras de apoio e até etiquetas de táteis abaixo de sinalizações visuais fazem total diferença não apenas para condôminos, mas também para visitantes;
- Espaços de convivência bem cuidados: Cidades necessitam de locais de qualidade onde seus moradores possam conviver e assim estruturar laços para formar uma comunidade. Isso também se aplica às “mini-cidades” que são condomínios. Parquinhos, espaços de co-working e até um simples jardim ao sol com bancos confortáveis são um convite para os condôminos saírem de suas interagir entre si.
Governança (G): Dados como Ferramenta de Confiança – A governança é o cimento que une os outros pilares. Sem transparência, não há engajamento. Uma gestão governável é aquela que substitui a percepção subjetiva por dados auditáveis, eliminando conflitos e trazendo segurança jurídica para o conselho e moradores.
- Ferramentas de Gestão: Aplicar metodologias profissionais como a Matriz RACI para definir responsabilidades, o 5W2H para planejamento de ações e o ciclo PDCA para melhoria contínua;
- Gestão à Vista: Utilizar painéis físicos e dashboards digitais para expor indicadores (KPIs) de consumo e economia em tempo real;
- Tecnologia ao seu favor: use ferramentas de monitoramento de gastos, assembléias online ou híbridas e softwares de gestão inteligente que ajudam não só na gestão mas também na mensuração de resultados;
- Relatórios ESG: Consolidar anualmente o balanço ambiental positivo, servindo de base para a valorização patrimonial e possível monetização de ativos ambientais.
O futuro dos nossos lares será verde, tecnológico e, acima de tudo, governado com inteligência. A transição já começou, e o seu condomínio está convidado a liderá-la.
*Por Fernando Berteli, escritor, engenheiro e CEO da empresa de assinatura de energia limpa, NewSun Energy Group
