Em um mundo cada vez mais cheio de ruído e saturado de informações, a exclusividade firma endereço na discrição. Uma nova filosofia de vida e consumo tem redefinido o conceito de alto padrão, migrando da ostentação para a qualidade intrínseca e a consciência.
É o movimento do “luxo silencioso e consciente”, uma tendência que valoriza o que é atemporal, sustentável, exclusivo, mas acima de tudo, genuinamente confortável.
O que é o luxo silencioso? O luxo silencioso, ou quiet luxury, é uma estética que se manifesta pela ausência de excessos visuais. No mercado imobiliário, isso se traduz em empreendimentos que
priorizam a elegância discreta, a atemporalidade, o uso de materiais nobres e sofisticados, além de projetos que garantam respeito à privacidade.
O foco não está no que parece caro, mas no que é de alta qualidade, desde a fundação até o acabamento. É a valorização do intangível, ou seja, a sensação de bem-estar, o conforto acústico e a durabilidade que resiste ao teste do tempo.
A ascensão do luxo consciente no mercado imobiliário – A vertente consciente adiciona uma camada de profundidade a essa discrição. É um público que procura um refúgio, que promova o bem-estar, e que esteja alinhado a valores de sustentabilidade, além de ter sua privacidade blindada.
A prioridade é o conforto, a funcionalidade. Claro, com a integração de tecnologias inteligentes e soluções que visam a eficiência energética e a redução do impacto ambiental. Essa mudança reflete uma escolha pensada, onde a exclusividade reside na curadoria e na qualidade, e não no apelo visual exuberante. Fica evidenciado o pensamento de que menos é mais, mas que isso nem precisa ser anunciado, pois fala por si só.
O alinhamento com a nova era do luxo – Neste alinhamento de expectativas, a busca por um luxo que é sentido e vivido, e não apenas exibido, é exatamente o que grandes marcas globais propõem.
Vejamos o exemplo da Mercedes-Benz que exemplifica essa transição com sua linha Classe S, frequentemente descrita como o “padrão ouro” do luxo discreto.
Enquanto outras marcas apostam em grades frontais imensas e roncos de motor agressivos, a Mercedes foca na “pureza sensual” de seu design e no isolamento acústico absoluto de suas cabines. O valor, que ultrapassa facilmente a marca de R$ 1 milhão, não se justifica por adornos externos, mas pela engenharia invisível que prioriza o bem-estar sensorial do ocupante.
É um luxo que se manifesta no silêncio do rodar e na sofisticação de materiais como o couro nappa e a madeira de poros abertos, reforçando a ideia de que o verdadeiro prestígio não precisa de ruído para ser notado e atestando que o verdadeiro luxo mora na discrição e elegância.
O que o mercado imobiliário aprende com isso? O luxo silencioso e consciente ensina ao mercado imobiliário que o valor do alto padrão migrou da ostentação para a qualidade intrínseca e o bem-estar do morador.
Sim, isso exige adaptações e um foco em engenharia de precisão, como isolamento acústico e térmico, sustentabilidade como um padrão de qualidade na eficiência energética e materiais éticos, e design atemporal, transformando o imóvel em um lugar sagrado, discreto e um investimento sólido, onde a excelência da construção é a maior declaração de luxo.
*Por Clovis Roberto Barbieri Filho, diretor geral da Barbieri Engenharia e presidente do Serviço Social da Industria da Construção de Blumenau (Seconci). Engenheiro Civil pela FURB), com mais de 20 anos de experiência em incorporação e construção de empreendimentos imobiliários. Representa a terceira geração da família Barbieri que atua há mais de 75 anos no setor.
