Quando se fala em contratar uma empresa para cuidar da portaria, limpeza e manutenção de condomínio, o ponto mais importante na cabeça dos síndicos é: o quanto isso vai gerar de economia. Entretanto, há uma série de responsabilidades que o gestor assume ao optar por esse tipo de serviço, que devem ser ponderadas para que o barato não saia caro.
Para entender qual é o checklist que o síndico deve fazer na hora de contratar terceirizadas, conversamos com Pierantonio Sedo, diretor da Pointer Ambiental, empresa que atua há 26 anos no setor, atuando em São Paulo e na região do ABC. Confira a seguir:
Diligência técnica e jurídica
Antes de assinar o contrato, o gestor condominial deve analisar dois aspectos: o documental e o jurídico. O primeiro avalia se a empresa tem capacidade de entregar o serviço, checando processos de treinamento, qualidade de equipamentos e referências de outros clientes. Já o segundo irá analisar a saúde legal e financeira da prestadora, auditando certidões negativas e o histórico de processos trabalhistas.
“A contratação exige atenção especial porque o condomínio passa a responder solidariamente por questões trabalhistas, além de depender diretamente da qualidade do serviço para o bom funcionamento no dia a dia. Uma escolha inadequada pode gerar riscos jurídicos, financeiros e operacionais”, alerta Sedo.
Essas medidas são essenciais para proteger o condomínio da responsabilidade solidária e garantir que a promessa de eficiência não se transforme em um passivo judicial futuro.
O perigo mora no barato
É comum que conselhos e síndicos se sintam pressionados a reduzir a cota condominial, optando por empresas que apresentam orçamentos agressivos. No entanto, a matemática da terceirização é rígida: se o valor não cobre o piso salarial, encargos e benefícios, alguém pagará a conta no futuro. Por isso, o diretor da Pointer Ambiental destaca que o preço excessivamente baixo geralmente esconde falhas graves: “Isso se traduz em baixa qualidade no atendimento, falta de programa de trabalho e, o mais grave, a ausência de garantia de pagamento de obrigações essenciais, como salário, férias, 13º e FGTS. O resultado é a geração de processos trabalhistas em que a empresa não honra as decisões, e o condomínio acaba pagando duas vezes pelo mesmo serviço”.
Segurança jurídica
Para garantir a tranquilidade da comunidade condominial, a análise documental deve ser exaustiva antes da assinatura do contrato. De acordo com Pierantonio, os documentos indispensáveis incluem:
- Regularidade Fiscal: CNPJ ativo e certidões negativas (INSS, FGTS, Receita Federal).
- Saúde e Segurança: Comprovações de PGO-PGR (Programa de Gerenciamento de Riscos) e PCMSO (Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional).
- Garantia Operacional: Apólice de seguro e registros formais de todos os colaboradores que atuarão no posto.
A importância da experiência setorial
Não basta a empresa ser grande, a prestadora de serviços precisa entender a dinâmica de um condomínio porque a rotina de um prédio residencial é totalmente diferente de uma indústria ou de um hospital. Por esse motivo, a experiência no segmento permite que a prestadora antecipe problemas e ofereça soluções rápidas, especialmente em momentos críticos, como faltas ou substituições imediatas.
“A empresa terceirizada deve ser totalmente responsável pela reposição imediata dos profissionais, sem prejuízo ao condomínio e sem gerar custos extras”, pontua Sedo.
Um olho no padre e outro na Missa
O trabalho do síndico não termina na contratação. A fiscalização contínua, apoiada pela administradora, é o que garante que o contrato seja cumprido à risca. Indicadores como o nível de satisfação dos moradores, a redução de reclamações e a presença constante de supervisão da empresa no local são sinais de uma parceria saudável.
Para quem está avaliando terceirizar pela primeira vez, o conselho do diretor Pierantonio Sedo é claro: “Pesquise o histórico, solicite referências reais, analise cada documento e priorize empresas com experiência comprovada. A regularidade evita multas e passivos judiciais, além de garantir colaboradores mais motivados e menor rotatividade, o que se reflete em economia real e tranquilidade para todos”.
