O mercado da construção civil tem testemunhado uma transformação profunda que redefine o conceito de valor em um imóvel. Longe de ser apenas uma questão de metragem ou localização, hoje em dia, o comprador busca algo mais intangível, porém cada vez mais decisivo: a qualidade de vida, o bem-estar e uma experiência de morar alinha a diferentes questões. A decisão de compra não é pautada apenas por metragem ou localização.
Atributos como boa iluminação natural, vista agradável, conforto acústico e proximidade com áreas verdes ganharam protagonismo porque estão diretamente ligados ao bem-estar e à rotina. Nesse cenário, as certificações internacionais surgem como selos de garantia, elevando o que podemos chamar de “metro quadrado da experiência” a um novo patamar de valorização.
Desde 2020, o lar assumiu um papel central na vida das pessoas, acelerando a tendência de que a prioridade, no momento da escolha, está em atributos que impactam diretamente o cotidiano.
O mercado imobiliário responde a essa demanda com uma concepção de projetos que integra, desde as etapas iniciais, estudos de insolação, orientação de fachadas, circulação de ar e paisagismo. O objetivo é criar empreendimentos que não apenas atendam às necessidades funcionais, mas que ofereçam uma vivência equilibrada, onde cada metro quadrado é otimizado para o bem-estar.
Certificações Internacionais: reafirmando a qualidade
Nesse contexto de busca por qualidade de vida e sustentabilidade, as certificações internacionais surgem como ferramentas poderosas de validação. Elas atestam, de forma independente, que um empreendimento foi planejado e construído sob rigorosos padrões que promovem eficiência energética, uso consciente da água e a escolha de materiais com menor impacto ambiental. Esses fatores que se traduzem diretamente em ambientes internos mais saudáveis e confortáveis e são importantes para percepção do público de interesse.
As certificações verdes, como as oferecidas por organizações como o Green Building Council Brasil (GBC Brasil) e a EDGE (Excellence in Design for Greater Efficiencies), desenvolvida pela International Finance Corporation (IFC), membro do Grupo Banco Mundial, tornaram-se ferramentas poderosas de validação. Elas atestam, de forma independente, que um empreendimento foi planejado e construído sob rigorosos padrões que promovem eficiência energética, uso consciente da água, escolha de materiais com menor impacto ambiental e um ambiente interno saudável.
As certificações se debruçam sobre diversas categorias para garantir um desempenho superior. As principais incluem:
- Qualidade do ar: Embora o selo se concentre em energia, água e materiais, a escolha de materiais de baixa energia incorporada e a otimização da ventilação natural contribuem indiretamente para uma melhor qualidade do ar interno;
- Luz natural: A eficiência energética exigida, incentiva o design que maximiza a iluminação natural, reduzindo a necessidade de luz artificial. Isso não só economiza energia, mas também melhora o bem-estar dos moradores, impactando positivamente o humor e a produtividade;
- Gestão sustentável da água: Com metas de economia de água, a certificação promove a instalação de dispositivos eficientes, como torneiras com aeradores e vasos sanitários de baixo consumo. Isso garante um uso mais consciente do recurso, diminui a conta de água do condomínio e contribui para a sustentabilidade hídrica do entorno.
Para que um empreendimento obtenha uma certificação, como o GBC Brasil Condomínio ou a EDGE, é necessário um compromisso integral com a sustentabilidade e a eficiência desde as fases iniciais do projeto. Isso envolve um planejamento integrado, ao abordar as questões de sustentabilidade desde a concepção arquitetônica; adesão as normas técnicas, cumprindo uma série de pré-requisitos e metas de desempenho relacionadas a eficiência, conforto e sustentabilidade; seleção de materiais e tecnologias, de forma criteriosa adotando materiais de baixo impacto ambiental e a implementação de tecnologias que promovam a eficiência hídrica e energética; monitoramento, um processos contínuo de verificação para garantir que os padrões sejam mantidos durante a construção e operação.
Em um mercado cada vez mais concorrido, empreendimentos certificados destacam-se, atraindo um público consciente e exigente. Além disso, imóveis com selos de sustentabilidade demonstram um valor percebido superior, justificando preços mais elevados e garantindo uma valorização mais consistente ao longo do tempo. O consumidor está, de fato, mais disposto a pagar por experiência e garantia de qualidade de vida.
Por essa, razão, as certificações internacionais não são apenas tendências, mas sim o futuro da construção, garantindo que o metro quadrado da experiência não seja apenas uma promessa, mas uma realidade tangível e valorizada.
*Por Débora Bertini, diretora geral de incorporação e vendas da MPD Engenharia
