A gestão condominial é uma função complexa, que exige conhecimento em diversas áreas e, não menos importante, habilidade para lidar com conflitos entre moradores. Durante anos essa função foi ocupada por condôminos voluntários, que acumulavam a função com sua rotina pessoal e profissional.
Com o tempo, surgiram os grandes condomínios clube, condomínios setorizados, novas obrigações e responsabilidades, e há casos nos quais o que antes funcionava bem já não atendia às necessidades do empreendimento. Além disso, em muitos casos nenhum condômino se habilitava a exercer o cargo, seja por falta de conhecimento, tempo ou até vontade de assumir o encargo. Surge, então, a figura do síndico externo, conhecido como o síndico profissional.
Nestes casos, e havendo a expectativa de substituir um síndico morador por um síndico externo, a primeira regra é que esta decisão deve ser tomada coletivamente pelos condôminos, em assembleia. O síndico atual e o conselho podem e devem participar do processo (até por conhecerem o dia a dia do condomínio), oferecendo informações e suporte, mas não têm poder de decisão sozinho.
Para que essa mudança ocorra de forma tranquila, é preciso que ocorra de forma planejada. O primeiro passo é envolver os moradores no entendimento dos pontos relacionados à profissionalização, até para que as expectativas dos condôminos sejam alinhadas ao trabalho do futuro profissional. Sai o “vou interfonar para o síndico” e entra o “vou utilizar os canais oficiais de comunicação disponibilizados pelo síndico”.
Discutido isso, é necessário estruturar um plano de transição gradual. O síndico morador deve atuar como mentor, compartilhando relatórios, detalhando rotinas administrativas, fornecedores, contratos e, se for o caso, pendências legais. A criação de um manual de procedimentos internos e a documentação organizada de decisões tomadas ao longo da gestão ajudam a preservar o conhecimento acumulado e facilitam a adaptação do novo gestor.
As atribuições e responsabilidades do síndico profissional são as mesmas do antigo síndico condômino, uma vez que estão previstas na Lei e na Convenção de condomínio. No entanto, um contrato pode ser saudável, para que sejam delimitados os limites, alçadas, visitas, dentre outras questões relacionadas a prestação de serviços do novo síndico.
A integração entre o síndico profissional e os moradores também é um ponto-chave. Reuniões periódicas, assembleias bem conduzidas e canais de comunicação abertos ajudam a construir confiança, mostrando que a profissionalização significa mudança, e não distanciamento. O profissional deve atuar como mediador e gestor, mas sempre atento à convivência e aos interesses da comunidade.
Por fim, é importante manter acompanhamento e avaliação contínua do trabalho do síndico profissional. Estabelecer feedbacks, ajustes e adaptações às necessidades do condomínio garante que a transição seja suave e que a gestão se mantenha eficiente.
Com planejamento, diálogo e clareza de responsabilidades, a mudança do síndico morador para o profissional pode ocorrer sem traumas e conflitos, proporcionando segurança, clareza e melhores resultados para o condomínio como um todo.
*Por Marco César Braga Gubeissi, diretor de Condomínio da Associação das Administradoras de Bens Imóveis e Condomínios de São Paulo (AABIC)
