Biofilia é uma palavra em alta, mas afinal, qual é a relação disso com os projetos atuais e como isso pode realmente afetar a nossa vida? A verdade é que estar em contato com a natureza é uma forma de relaxar e ter mais saúde e essa é uma realidade que tem se distanciado cada vez mais da vida urbana.
À medida que as cidades crescem e se tornam mais densas, os condomínios multifamiliares assumem um papel fundamental na construção de uma vida mais equilibrada. Nesse contexto, as áreas verdes deixam de ser apenas um diferencial estético para se tornarem elementos essenciais de conforto, bem-estar e sustentabilidade. É aqui que entra a arquitetura biofílica que busca integrar este ambiente construído com elementos naturais, introduzindo madeira, pedra, água de forma interativa e sensorial e muita vegetação.
Projetos com esta proposta vão além de uma conectividade com a natureza, jardins, praças internas e áreas arborizadas contribuem diretamente para reduzir a temperatura, melhorar a qualidade do ar e minimizar os efeitos das ilhas de calor. Além disso, criam espaços convidativos que estimulam o convívio e atuam como ambientes de descompressão, tornando a rotina dos moradores mais leve e saudável.
O ponto crucial para que isso se enraíze, fazendo um bom proveito do trocadilho, é a perpetuidade destes espaços. Neste sentido, para que esses benefícios sejam duradouros, é indispensável um planejamento paisagístico criterioso desde a concepção do projeto. A escolha das espécies vegetais é determinante: plantas nativas e adaptadas ao clima local são mais resistentes, demandam menos água e exigem menor manutenção. Espécies de crescimento controlado, com folhas menores e que dispensam podas frequentes, ajudam a reduzir custos e facilitar a conservação ao longo do tempo.
Outro aliado essencial é a irrigação automatizada. Em condomínios verticais, esse sistema garante que a vegetação receba a quantidade adequada de água de forma regular, evitando desperdício e assegurando um desenvolvimento saudável. Sem esse cuidado, mesmo as plantas mais resistentes podem sofrer com a falta ou o excesso de irrigação.
Mais do que benefícios ambientais, as áreas verdes impactam diretamente a saúde e o bem-estar dos moradores. Elas oferecem espaços para relaxamento, reduzem o estresse e, por meio da reconexão com a natureza, promovem a saúde. Estudos apontam que o contato frequente com ambientes naturais contribui para melhorar a saúde mental e a qualidade de vida. Isso está totalmente conectado à tendência atual da humanidade de buscar serenidade; uma prova disso é a escolha da cor do ano pela Pantone, um tom de branco, justamente simbolizando esse resgate de um ritmo de vida mais calmo e tranquilo.
Investir em áreas verdes bem planejadas é, portanto, uma escolha estratégica, pois atende a uma necessidade importante da população hoje em dia. Além de promover sustentabilidade e bem-estar, esses espaços agregam valor ao empreendimento e transformam os condomínios em verdadeiros refúgios urbanos, onde arquitetura, paisagismo e qualidade de vida caminham juntos.
*Por Carol Hauptli, gerente de projetos na Lumma Construtora, com mais de 15 anos de experiência em arquitetura multifamiliar; e Luiza David Maria Mendes, diretora de projetos e incorporações na Lumma Construtora.
