Quando falamos em inclusão nos condomínios, é comum pensarmos apenas em rampas, corrimãos e elevadores. Esses elementos são fundamentais, mas inclusão vai muito além da acessibilidade física. Ela também envolve como o espaço é percebido, sentido e experimentado por cada morador.
Ambientes com excesso de ruído, iluminação agressiva, cores muito estimulantes ou circulação
confusa podem gerar desconforto, especialmente para pessoas com neurodivergências, como TEA, TDAH e transtornos de ansiedade. Muitas vezes, esses moradores deixam de utilizar as áreas comuns porque o espaço simplesmente não os acolhe.
A neuroarquitetura amplia esse olhar. Ao aplicar princípios da neurociência ao projeto, é possível criar áreas comuns mais intuitivas, equilibradas e sensorialmente confortáveis. Iluminação indireta,
tratamento acústico, sinalização clara, organização espacial fluida e espaços de pausa são soluções que promovem bem-estar coletivo.
E aqui está um ponto estratégico: ambientes pensados para incluir funcionam melhor para todos.
Crianças, idosos, famílias e visitantes se beneficiam de espaços mais organizados, confortáveis e emocionalmente seguros. Condomínios que investem em áreas comuns mais humanas não apenas promovem convivência e pertencimento — eles se posicionam de forma diferenciada no mercado.
A percepção de cuidado, inovação e responsabilidade social impacta diretamente na valorização do empreendimento e na atratividade para novos compradores. Incluir é projetar com consciência. E quando o condomínio entende que bem-estar também é acessibilidade, ele transforma qualidade de vida em valor real.
*Por Rebeca Risse, arquiteta, e Renata Davanzzo, designer de interiores, sócias da RR Arquitetura
