A digitalização dos condomínios entra em uma nova fase. Após a adoção de aplicativos voltados a tarefas isoladas, como cobranças, reservas ou controle de visitantes, o setor passa a priorizar superapps capazes de integrar diferentes frentes da gestão em uma única plataforma. A mudança reflete a necessidade de eliminar obstáculos criados por sistemas desconectados e de fortalecer a comunicação como o centro da operação condominial.
A fragmentação tecnológica tem gerado obstáculos operacionais. Muitos condomínios ainda operam com múltiplos sistemas que não compartilham dados, históricos ou fluxos de atendimento. Essa falta de integração compromete a tomada de decisões, dificulta a rastreabilidade de informações e amplia riscos, especialmente em processos sensíveis como controle de acesso, autorizações e gestão de ocorrências, áreas em que falhas operacionais podem gerar impactos diretos na segurança e na gestão operacional do condomínio.
A preocupação não é apenas operacional, mas também estratégica. Levantamento da Real Time Big Data aponta que 69% dos moradores consideram a segurança o principal fator para escolher viver em um condomínio, à frente de conforto e conveniência. O dado evidencia que a tecnologia, quando mal integrada, deixa de cumprir uma das expectativas centrais desse público: previsibilidade e confiança nos processos do dia a dia.
Nesse contexto, os superapps ganham espaço ao prometer uma visão mais integrada da gestão. No entanto, concentrar funcionalidades em uma única plataforma não é suficiente se a comunicação continua sendo tratada como um elemento secundário. “Muitos aplicativos organizam tarefas, mas não estruturam a comunicação. Sem histórico unificado, registros auditáveis e critérios claros de atendimento, a operação segue vulnerável”, avalia Marcio Verderio Tahan, CEO da VTCall, empresa especializada em soluções de comunicação corporativa com inteligência artificial e automação.
Segundo o especialista, a comunicação integrada é o que sustenta a eficiência desses novos modelos. “A gestão condominial depende da capacidade de registrar interações, validar acessos, documentar decisões e garantir que síndicos, portarias, administradoras e moradores operem com as mesmas informações, em tempo real”, afirma.
Com isso, tecnologias como PABX em nuvem, atendimento omnichannel e automação inteligente deixam de ser exclusivas do ambiente corporativo e passam a atuar como infraestrutura crítica nos condomínios. Ao centralizar chamadas, mensagens, autorizações e registros em um único sistema, essas soluções permitem padronizar protocolos, reduzir falhas operacionais e ampliar o controle sobre a jornada de atendimento.
Ao atuar como camada de comunicação integrada, essas soluções conectam-se aos sistemas já utilizados pelos condomínios, como plataformas de portaria remota e controle de acesso, evitando rupturas na operação e ampliando a eficiência dos processos. Assim, a tecnologia deixa de competir com ferramentas existentes e passa a funcionar como elo entre diferentes frentes da gestão.
A comunicação omnichannel, por exemplo, transforma canais como WhatsApp, Telegram e outros meios digitais em extensões oficiais da administração condominial, evitando perda de informações e atendimentos fragmentados. Já a automação apoiada por inteligência artificial, contribui para classificar demandas, direcionar solicitações, identificar padrões de atendimento e manter registros atualizados, mesmo em períodos de maior movimento, como feriados ou eventos internos.
Para Marcio, a evolução dos apps condominiais está menos ligada à quantidade de funcionalidades e mais à inteligência por trás da operação. “Essa nova fase não é sobre acumular recursos, mas sobre integrar processos. Quando comunicação, segurança e gestão operacional se juntam, o condomínio ganha mais controle, eficiência e confiança, exatamente o que moradores e administradores buscam”, conclui.
