A segurança de um condomínio não começa nem termina no portão de entrada. O deslocamento do morador pela calçada, a chegada de um veículo, o desembarque de um carro de aplicativo ou mesmo os segundos de espera até a abertura da garagem fazem parte de uma área externa que também pode estar sujeita a situações de risco.
Nesse contexto, a integração entre sistemas privados de monitoramento e redes públicas de segurança vem ampliando a capacidade de observar o entorno e gerar informações que podem contribuir para a prevenção e a investigação de ocorrências. Em São Paulo, esse movimento ganha escala com iniciativas como o Smart Sampa, da Prefeitura, e o Muralha Paulista, do Governo do Estado, que conectam câmeras e outras tecnologias a estruturas públicas de monitoramento. O Smart Sampa já reúne 50 mil câmeras na capital, segundo dados apresentados pela Prefeitura, e conta também com equipamentos da iniciativa privada.
A tendência se repete em outros municípios da região metropolitana: em Barueri, por exemplo, há o Smart Barueri que conecta quase 3 mil câmeras. Já em Osasco, o Monitora OZ é conectado a câmeras de diferentes origens a um Centro de Operações Integradas. Nesse ecossistema, empresas especializadas em segurança condominial têm ampliado sua participação como fornecedoras de infraestrutura e informação.
“Apesar de estarmos focados na segurança de moradores dos condomínios, inclusive nas áreas do entorno dos prédios, com câmeras estrategicamente posicionadas para perceber possíveis riscos, também atuamos dando apoio às redes públicas de monitoramento, de forma complementar. Colocamos tecnologia, infraestrutura e informação à disposição de um ecossistema maior. Uma imagem pode ajudar a identificar um veículo, compreender uma movimentação ou esclarecer uma ocorrência. Quanto mais organizada for essa integração, maior pode ser a contribuição para quem tem a responsabilidade de atuar”, explica Rui Costa, especialista em segurança eletrônica, com 30 anos de experiência, à frente da DeltaOmega, que possui mais de 5 mil câmeras conectadas ao Smart Sampa.
Essa lógica está na base de uma rede colaborativa de monitoramento, proposta que conecta diferentes pontos de observação, como torres e câmeras instaladas em condomínios e outros empreendimentos, formando uma camada adicional de monitoramento do entorno e possibilitando sua integração a estruturas públicas. Tecnologia precisa estar acompanhada de operação Na avaliação de Rui Costa, o ganho de segurança depende da combinação entre tecnologia, monitoramento humano e protocolos claros de atuação.
Na central de monitoramento, as imagens são acompanhadas por uma Central 24 horas, e situações fora do padrão podem ser analisadas e escaladas de acordo com sua gravidade, com acionamento de equipes de apoio ou das forças de segurança quando uma ocorrência é confirmada. Os procedimentos operacionais também estabelecem mecanismos para reduzir vulnerabilidades no próprio controle de acesso.
A autorização de visitantes, por exemplo, passa por etapas de identificação e validação, incluindo confirmação com o morador em situações que exigem checagem adicional. Em casos de tentativa de invasão ou acesso irregular, a central pode acompanhar as imagens em tempo real, acionar as autoridades e preservar informações relacionadas à ocorrência, como características dos envolvidos e direção de fuga.
Intertravamento de portões – Outro recurso é o sistema de intertravamento de portões, que impede a abertura simultânea das barreiras de acesso, medida que atua especialmente na prevenção do chamado tailgating, quando uma pessoa não autorizada tenta aproveitar a abertura do portão para entrar junto com um veículo ou pedestre autorizado. “Quando os pontos de monitoramento estão conectados, conseguimos ampliar a capacidade de observação sem perder de vista que cada agente tem seu papel. A segurança pública mantém a responsabilidade pela atuação policial, enquanto a iniciativa privada pode contribuir com tecnologia, monitoramento e informações. É uma relação de colaboração, não de substituição”, conclui Rui Costa.
Ação rápida contra ameaça à segurança – Um caso que ilustra como essa estrutura pode atuar de forma preventiva. Durante a madrugada, a Central de Monitoramento identificou, por meio das câmeras de segurança, uma movimentação suspeita nas proximidades de um condomínio monitorado. A equipe iniciou os protocolos de segurança, manteve contato ativo e atuou para impedir o acesso dos indivíduos ao empreendimento. A Polícia Militar foi acionada e realizou uma vistoria no local. A ação foi contida antes que houvesse entrada no condomínio e não foram registrados danos. “Quanto mais estruturado é o processo de identificação, menor é a dependência de decisões improvisadas. O acesso precisa ser tratado como uma sequência de etapas: identificar, validar, autorizar e registrar. Quando alguma dessas etapas é negligenciada, abre-se uma vulnerabilidade”, explica Costa.
