O crescimento acelerado do e-commerce transformou profundamente a logística urbana nos últimos anos e os smart lockers – armários inteligentes – ganharam protagonismo como uma solução eficiente para a entrega de encomendas, oferecendo conveniência para moradores e mais previsibilidade para síndicos e administradores.
Dados recentes mostram que mais de 1,2 milhão de armários inteligentes foram implantados globalmente em 2024, com uso crescente em escritórios, prédios comerciais e espaços corporativos. Além disso, o mercado global desses sistemas pode ultrapassar US$ 10 bilhões até 2033, segundo estudo da Market Growth Reports. No entanto, à medida que o mercado amadurece e as demandas dos consumidores evoluem, um novo movimento começa a ganhar força também no Brasil: a adaptação dessas estruturas para também viabilizar a coleta e devolução de produtos.
Na minha visão, essa mudança representa um passo natural na evolução dos smart lockers. Se, no primeiro momento, o foco estava em resolver o desafio da última milha na entrega, promovendo mais autonomia para inquilinos buscarem suas encomendas em horários alternaticos, agora o setor começa a olhar com mais atenção para a logística reversa, um dos pontos mais sensíveis da experiência de compra online.
Devoluções fazem parte da jornada do consumidor digital, seja por troca de tamanho, defeito ou simples insatisfação, e quanto mais fácil esse processo for, maior tende a ser a confiança na compra. Tornar esses armários inteligentes também factíveis para que os operadores e empresas passem a buscar as encomendas em locais seguros é, também, pensar em oferecer mais conveniência nos condomínios.
Transformar os lockers em pontos de devolução ajuda a reduzir atritos tanto para consumidores quanto para varejistas. Para o cliente, significa não depender de horários de atendimento ou enfrentar filas em agências físicas. Basta depositar o pacote no compartimento indicado e registrar a devolução digitalmente. Para as empresas, a coleta estruturada em lockers traz mais previsibilidade e organização ao fluxo logístico, concentrando volumes e reduzindo custos operacionais.
Essa evolução também exige um nível maior de integração tecnológica. A operação deixa de ser só um ponto de retirada e passa a exigir sistemas capazes de gerenciarem diferentes tipos de fluxo – entregas, retiradas e devoluções – com rastreabilidade, segurança e atualização em tempo real. A inteligência por trás dessas operações se torna tão importante quanto a estrutura física dos lockers.
Junto a isso, a capacidade de conectar o mundo físico ao digital também é importante. Quando bem integrados aos sistemas de gestão de pedidos, transporte e atendimento ao cliente, os smart lockers passam a fazer parte de um ecossistema logístico mais amplo, no qual cada movimentação é registrada e acompanhada em tempo real. Esse tipo de visibilidade é fundamental para varejistas que precisam equilibrar eficiência operacional com uma experiência de compra cada vez mais fluida.
Nesse cenário, empresas especializadas em tecnologia logística têm um papel crucial ao apoiar organizações na gestão inteligente desses fluxos. Soluções que permitem rastrear, organizar e automatizar o trânsito de encomendas e documentos ajudam a transformar pontos físicos, como lockers, em verdadeiros hubs de distribuição e coleta.
O que estamos vendo, portanto, é uma ampliação do papel dos smart lockers dentro da logística moderna. O mercado precisa pensar nos armários inteligentes para além da retirada de encomendas, mas sim em como eles começam a se consolidar como pontos estratégicos de circulação de mercadorias dentro das cidades.
Ao incorporar também a logística reversa, essas estruturas ajudam a tornar o comércio eletrônico mais eficiente, sustentável e alinhado às expectativas de um consumidor que valoriza, cada vez mais, conveniência e autonomia.
*Thais Mendes é Head of Customer Experience na área de Smart Solutions da Pitney Bowes, empresa global que fornece tecnologia, logística e serviços em todo o mundo.
