Os animais de estimação vêm ganhando mais protagonismo no cotidiano das famílias brasileiras. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet), o Brasil tem a 3ª maior população pet do mundo, entre 150 e 160 milhões de bichos. De acordo com o governo federal, mais de 1 milhão de pets brasileiros já têm uma carteira de identidade por meio do Sistema do Cadastro Nacional de Animais Domésticos, o SinPatinhas. E não tem só quem tem quintal. Quando olhamos para os condomínios não é diferente.
O Censo Condominial 2026, consolidado com dados do IBGE, da Receita Federal, da FGV e da uCondo, mostra que 10% dos condomínios da base da uCondo possuem algum pet entre seus moradores. Para Léo Mack, cofundador e diretor de operações da uCondo, esse dado sugere a importância de considerar os animais no planejamento e na gestão da vida em condomínio.
Apesar da presença expressiva dos animais nos condomínios, o Censo mostra que menos de 1% dos condomínios conta com áreas dedicadas exclusivamente aos pets, como parquinhos ou espaços de convivência. “Hoje, isso pode influenciar diretamente na escolha de uma família por morar ou não em um condomínio”, afirma Léo.
No Sistema do Cadastro Nacional de Animais Domésticos do governo federal, o SinPatinhas, cada animal recebe uma identificação única, com uma foto 3×4, além de informações como nome, data de nascimento, cor da pelagem, espécie (cão ou gato), sexo e cidade. O registro também informa nome e contato do tutor para casos de perda ou fuga do animal. E como quem achá-lo terá acesso ao contato? O SinPatinhas gera um QRCode para a ID que pode ser impresso e colocado na coleira do pet. “O sistema foi lançado há menos de um ano e a forte adesão dos tutores mostra a preocupação deles com seus pets”, observa Léo.
Além disso, uma pesquisa da Opinion Box, que ouviu mais de mil tutores de animais em todo o país, indica que 77% dos brasileiros gastariam quanto fosse necessário para manter seus pets saudáveis e seguros. Além disso, 50% dos tutores consideram muito importante (33%) ou importante (17%) que os lugares que frequentam aceitem animais, e 45% já deixaram de ir a locais que não são pet-friendly.
Convivência com os pets e guarda responsável – O cofundador da uCondo aponta como ter ou não um espaço dedicado aos bichos muda a dinâmica do condomínio. “O uso de áreas comuns pelos animais é o terceiro motivo de mais reclamações dos moradores quando o assunto é pet. Criar um espaço pet evita o uso indevido de jardins ou parquinhos para crianças, e neste caso é também uma questão de segurança para elas. Isso contribui para a boa convivência entre os moradores”, explica.
Entre os principais motivos de reclamações envolvendo pets apontados no Censo Condominial 2026, o barulho lidera a lista, com 46% das queixas. Em seguida, aparecem problemas relacionados à higiene (27%), ao uso inadequado das áreas comuns (18%) e, por fim, ao comportamento dos pets (9%).
De acordo com o executivo, essas ocorrências podem ser reduzidas se houver um regulamento interno do condomínio que trate da presença dos animais com equilíbrio, que concilie o direito de ter animais com orientações práticas para o uso compartilhado dos espaços, com regras claras e realistas. Confira dicas do Léo Mack que podem ser adotadas por qualquer condomínio:
- Fazer o uso de guia nas áreas comuns, medida que ajuda a evitar acidentes e dá mais controle aos tutores durante a circulação pelos corredores, elevadores e jardins.
- Recolher imediatamente as fezes dos animais e lavar a urina, mantendo os espaços compartilhados limpos e agradáveis para todos.
- Fazer o cadastro de todos os pets do condomínio e mantê-lo atualizado (com nome; foto; raça; porte; informação de condição especial, se houver; nº do apartamento; tutor e contato), medida importante para controle do síndico, criação/adaptação de regras e facilidade de compartilhamento em caso de perda ou fuga.
- Comunicação transparente entre síndico e moradores, seja para avisos, estabelecimento de regras, pedidos de ajuste no comportamento do pet, pedidos de concessão para situações específicas (um animal doente, por exemplo) e escuta mútua. “Embora as regras estejam redigidas e aprovadas, manter um diálogo só reforça a boa convivência acima de tudo”, enfatiza Léo Mack. “Um condomínio é uma comunidade em convivência.”
