A Associação Brasileira das Administradoras de Imóveis (ABADI) chama atenção para o impacto crescente da tarifa de água nos condomínios do Rio de Janeiro e para a necessidade de revisão do modelo tarifário atualmente aplicado no estado.
Hoje, as contas são calculadas pelo sistema conhecido como “tarifa mínima por economia”. Na prática, isso significa que, em condomínios abastecidos por um único hidrômetro, a tarifa mínima é multiplicada pelo número de unidades existentes no empreendimento.
O resultado tem sido um aumento significativo das despesas. Em muitos casos, a conta de água passou de cerca de 7% para mais de 45% do orçamento mensal dos condomínios, tornando-se uma das principais despesas condominiais e impactando diretamente o valor das cotas pagas
pelos moradores.
O tema ganhou novo destaque após a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em junho de 2024, ao revisar o Tema Repetitivo 414, que trata da metodologia de cálculo da tarifa de água e esgoto em condomínios com múltiplas unidades e medição por hidrômetro único. O assunto também vem sendo acompanhado no âmbito do Supremo Tribunal Federal (STF).
A forma como essa metodologia vem sendo aplicada no Rio de Janeiro tem gerado distorções relevantes no valor das faturas, ampliando significativamente o peso da conta de água no orçamento dos condomínios.
Dados comparativos apontam que o modelo atualmente adotado no estado produz tarifas significativamente superiores às praticadas em outras regiões do país, especialmente quando comparados a empreendimento com características semelhantes. Em alguns cenários, a tarifa cobrada no Rio de Janeiro pode ser até 14 vezes maior que a praticada em Minas Gerais, 11 vezes superior à do Paraná, seis vezes maior que em São Paulo e três vezes maior que no Rio Grande do Sul.
Comparação da tarifa mínima entre estados – Em um prédio comercial com 10 unidades, o valor mínimo da tarifa de água, em média, é de:
- Rio de Janeiro: R$ 9.200
- Minas Gerais: R$ 636
- Paraná: R$ 793
- São Paulo: R$ 1.532
- Rio Grande do Sul: R$ 2.436
Para a ABADI, além das abordagens sobre o uso consciente da água, também é uma oportunidade para ampliar o debate sobre o modelo tarifário aplicado aos condomínios no estado.
A Associação Brasileira das Administradoras de Imóveis (Abadi) e o Sindicato da Habitação (Secovi Rio) protocolaram, em 2025, um ofício à Agenersa (Agência Reguladora de Energia e Saneamento Básico do Estado do Rio de Janeiro) solicitando a revisão do modelo de cobrança de água e esgoto
atualmente em vigor no estado.
A entidade também disponibiliza uma petição pública para mobilizar moradores e administradoras em torno do tema e ampliar o debate sobre a necessidade de revisão do modelo tarifário: https://www.change.org/tarifadeaguajusta.
