A automação chegou de vez aos condomínios. Elevadores inteligentes, controle de acesso por biometria ou reconhecimento facial, portarias remotas, câmeras integradas à nuvem e sistemas de gestão centralizados já fazem parte da rotina de prédios residenciais e comerciais em todo o Brasil.
O problema é que, junto com eficiência e conveniência, essa digitalização também ampliou a superfície de ataque cibernético. Diferente de um vazamento de dados corporativos, uma falha de segurança em um condomínio pode impactar diretamente a segurança física de moradores, visitantes e funcionários.
Casos de invasões digitais a sistemas prediais, antes vistos como algo distante, hoje já fazem parte da realidade.
Automação predial também é alvo de hackers
Segundo o IBM X-Force Threat Intelligence Index 2024, ataques a ambientes que utilizam dispositivos conectados, como IoT e sistemas operacionais prediais, vêm crescendo de forma consistente nos últimos anos. O principal motivo não são ataques sofisticados, mas sim falhas básicas de configuração, ausência de segmentação de rede e falta de monitoramento contínuo.
Em condomínios, esses dispositivos incluem:
• Elevadores conectados à rede;
• Sistemas de controle de acesso;
• Portarias remotas;
• CFTV em nuvem;
• Sistemas de iluminação e energia automatizados.
Quando esses ativos não são tratados como parte de uma arquitetura de segurança digital, tornam-se portas de entrada para ataques.
O que significa sequestrar um sistema predial?
Ao contrário do que muitos imaginam, sequestrar um sistema não significa, necessariamente, parar elevadores ou causar falhas imediatas. Na prática, os ataques costumam ter três objetivos principais:
- Obter controle remoto de sistemas críticos, como elevadores e controles de acesso;
- Espionar fluxos de entrada e saída de pessoas, acessando registros e imagens;
- Usar a infraestrutura do condomínio como ponto de apoio para outros ataques ou extorsões digitais.
Em cenários mais graves, um invasor pode bloquear elevadores, desativar sistemas de acesso ou manipular registros, criando riscos reais à segurança física do condomínio.
Por que condomínios automatizados são alvos fáceis?
Na maioria dos projetos condominiais, a segurança digital não faz parte da concepção original. A automação costuma ser implementada em camadas, muitas vezes por fornecedores diferentes, sem integração adequada e sem governança de segurança.
Os erros mais comuns incluem:
• Sistemas expostos à internet sem proteção
• Senhas padrão nunca alteradas
• Falta de atualização de firmware
• Ausência de monitoramento contínuo
• Dependência excessiva de terceiros sem critérios claros de segurança
Segundo o Gartner, até 2026, 60% das organizações que sofrerem incidentes em ambientes conectados terão como causa principal falhas básicas de configuração, e não ataques altamente sofisticados.
Dicas práticas para prevenir ataques em condomínios 100% automatizados
A boa notícia é que a maior parte dos riscos pode ser mitigada com medidas relativamente simples, desde que exista uma estratégia clara.
- Tratar sistemas prediais como ativos críticos
Se está conectado à rede, precisa ser protegido. Elevadores, portarias e controles de acesso devem receber o mesmo nível de atenção que servidores e redes corporativas. - Segmentar redes
Sistemas de automação não devem compartilhar a mesma rede de uso administrativo ou de visitantes. A segmentação reduz drasticamente o impacto de um eventual ataque. - Monitorar continuamente
Não basta instalar e esquecer. É essencial acompanhar eventos, acessos suspeitos e comportamentos fora do padrão em tempo real. - Atualizar sistemas e firmware
Fabricantes corrigem vulnerabilidades com frequência. Sistemas desatualizados representam portas abertas para invasores. - Definir responsabilidades claras com fornecedores
Contratos devem prever requisitos mínimos de segurança, atualizações periódicas e planos de resposta a incidentes. - Ter um plano de resposta a incidentes
Mesmo com prevenção, incidentes podem acontecer. Saber quem acionar e como agir reduz impactos e tempo de indisponibilidade.
Segurança digital também é segurança patrimonial
A automação trouxe ganhos inegáveis para os condomínios, mas exige maturidade digital. Segurança hoje não se resume a câmeras e controle físico. Ela envolve visibilidade, detecção e resposta no ambiente digital.
Condomínios que entendem isso protegem melhor seus moradores e valorizam o patrimônio. O recado é simples e direto: prédio inteligente sem segurança digital não é inteligente, é vulnerável.
*Por Waldo Gomes, diretor de marketing e relacionamento da NetSafe Corp
