Os projetos sustentáveis se fazem cada vez mais necessários com o crescimento das cidades. O cuidado com a água e o desenvolvimento de soluções de drenagem urbana são imprescindíveis. Não ao acaso, com a chegada do período chuvoso, cresce a preocupação da população urbana com enchentes e sobrecarga dos sistemas tradicionais de drenagem.
Neste contexto, os swales (do inglês, “valas”) surgem como uma estratégia preventiva, capaz de reduzir impactos ambientais antes mesmo que eles aconteçam. Trata-se de uma solução acessível e replicável, que pode ser adaptada a diferentes escalas e contextos, do urbano ao rural. Inspirada nos processos naturais de escoamento do solo, é um recurso de manejo das águas pluviais, com origem na permacultura.
A arquiteta e urbanista Luci Costa, especialista em planejamento urbano sustentável, explica que os swales são valas rasas escavadas no solo, construídas acompanhando as curvas naturais do terreno. “Sua função é captar, desacelerar e infiltrar a água da chuva, evitando que ela escoe rapidamente pela superfície e cause alagamentos ou erosões. Eles coletam a água da chuva e permitem que ela retorne ao solo de forma gradual, respeitando a dinâmica natural do terreno”, explica a urbanista.
Luci Costa, juntamente com Andrea Accioly, formam a dupla responsável pelo estudo, planejamento e implementação de um sistema natural de preservação e escoamento de água em Pirenópolis, uma das cidades de maior fluxo turístico do estado de Goiás.
O projeto, em instalação no interior do Aldeia do Vale Pirenópolis, prevê a instalação de valas de infiltração em curvas de nível para drenagem e escoamento de águas pluviais. A solução nasce a partir de uma convergência de propósito sustentável entre a cidade turística e o conceito Aldeia, que nasceu em Goiânia há quase 30 anos, e se tornou referência em moradia de alto padrão integrada à natureza.
Confira 4 vantagens dos swales como solução ambiental
Favorecem a infiltração da água no solo – Diferente das soluções que apenas conduzem a água para longe, os swales permitem que ela retorne ao solo de forma gradual. Esses canais desaceleram o escoamento e estimulam a infiltração, contribuindo para a recarga dos lençóis freáticos. Esse processo ajuda a manter o equilíbrio hídrico da região e reduz a dependência de estruturas artificiais. Ao respeitar o funcionamento natural do solo, os swales reforçam uma lógica de planejamento que trabalha a favor da paisagem, e do bem-estar do ecossistema.
Diminuem processos de erosão – Quando a água da chuva escoa com velocidade excessiva pela superfície, ela pode provocar erosões, desgastar o solo e comprometer áreas verdes e cursos d’água. Os swales atuam na redução dessa força, amenizando o impacto da água da chuva no terreno.
Associados à vegetação em seu entorno, eles ajudam a estabilizar o solo e proteger áreas sensíveis, como encostas e margens de córregos. No projeto do Aldeia do Vale Pirenópolis, os swales serão instalados no fundo dos lotes de cada morador, circundados por um pomar de árvores nativas e frutíferas, que, além de compor a estrutura de drenagem, colaboram para a conservação da flora local e na manutenção da biodiversidade. O corredor do pomar terá cerca de 15 metros de largura, formando verdadeiras “artérias verdes” que cruzarão o empreendimento.
Podem ser replicados em novos projetos de urbanismo – Os swales são uma solução versátil, que pode ser aplicada em novos projetos de urbanismo como uma medida natural com um valor de implantação viável para o empreendedor. Sua adaptação depende principalmente da leitura do terreno e das condições naturais de cada local.
Por essa característica, eles se apresentam como uma ferramenta estratégica para pensar o crescimento urbano de forma mais consciente. Ao serem incorporados em novos projetos, os swales ajudam a construir uma lógica de ocupação mais equilibrada, preparada para os desafios ambientais do presente e do futuro.
Têm um menor custo de implantação – O uso de swales em projetos de urbanização diminui a necessidade do uso de galerias pluviais, soluções de drenagem que, além de artificiais, têm um custo de implantação e manutenção mais elevados. Segundo a arquiteta e urbanista Andrea Accioly, uma medida sustentável também deve ser viável financeiramente. “Ser sustentável é suprir necessidades da geração atual sem comprometer as gerações futuras, e isso envolve um equilíbrio econômico não somente de recursos naturais, mas também financeiros. Um projeto caro vai em desencontro com o significado de sustentabilidade”, pontua a especialista.
