As atuais metas de carbono definidas na COP30 – 30a Conferência das Partes da ONU sobre Mudança Climática, realizada em Belém, no Brasil, em novembro de 2025, trouxeram para o setor da construção civil, juntamente com outros setores, a contribuição ambiciosa em manter o aquecimento em 1,5°C, de acordo com as promessas do Acordo de Paris. O momento é de alinhamento com as metas globais de sustentabilidade, onde todos deverão contribuir com essa tarefa.
Em resposta a este cenário e as demandas de sustentabilidade, o retrofit energético assume papel preponderante, principalmente, para os edifícios corporativos existentes, com fachadas em “pele de vidro”. Popularizados no Brasil na década de 1970, também conhecido como structural glazing ou fachada glazing, o uso de “pele de vidro”, tornou-se presente, até os dias atuais, em muitos edifícios, principalmente os corporativos.
Inseridos em áreas altamente valorizadas de metrópoles como São Paulo, os edifícios corporativos de alto padrão apresentam um cenário positivo em relação à taxa de vacância física — indicador que mede o nível de desocupação de um imóvel ou empreendimento imobiliário. De acordo com relatórios recentes do setor, em 2025 esse índice registrou variação em torno de 12,8%. Especialistas apontam que, as taxas mais próximas de zero são melhores, porém as taxas situadas entre 10% e 15% são consideradas ideais para lajes corporativas de alto padrão na capital paulista.
Com as exigências ESG – Ambiental, Social e Governança, principalmente das multinacionais, investidores e consumidores, tornam-se um fator crítico para a sustentabilidade, impulsionando o mercado imobiliário corporativo para atitudes mais sustentáveis e com nichos mais atrativos em unidades alugadas.
Primeiramente, devemos entender o significado de retrofit. Ele não caracteriza reforma, demolição ou reconstrução, tendo como objetivo o de transformar o enorme acervo edificado disponível nas cidades, com o intuito de renová-lo, proporcionando uma atualização funcional.
Seguindo o mesmo conceito de retrofit arquitetônico, o Retrofit Energético ou Retrofit Verde, conforme o GBCB – Green Building Council Brasil, tem como objetivo principal “…a iluminação, conservação de água, climatização e a preservação da fachada com eficiência energética”. Afirmando, conforme dados da Engenharia Civil da Universidade Federal de Juiz de Fora, que o retrofit energético pode resultar na valorização do imóvel em até 50%, com a possibilidade de redução de até 30% do consumo de energia e de até 50% do consumo de água.
O GBCB afirma que “a troca ou modernização de fachadas de vidro ineficientes é o ponto focal para reduzir o consumo de energia, melhorar o conforto térmico e manter a competitividade do imóvel, evitando a obsolescência e a vacância”.
Com as novas tecnologias em vidros para fachadas limitantes de carga térmica interna, resultando em maior conforto térmico e acústico, simulações computacionais, valorizam a arquitetura bioclimática sendo possível alcançar eficiência energética, ampliando a entrada de luz natural com controle de calor e reduzindo significativamente o consumo de energia com iluminação e climatização.
Essas soluções têm se consolidado como um diferencial competitivo no setor da construção civil em defesa do retrofit energético para os edifícios corporativos antigos, contribuindo com as metas globais e as exigências de inquilinos multinacionais, que demandam edifícios alinhados a padrões internacionais de sustentabilidade e certificações ambientais, trazendo uma sustentabilidade corporativa, valorização patrimonial e maior atratividade para investidores e ocupantes corporativos.
*Por Ana Paula Capuano, arquiteta, especialista em Acessibilidade, professora universitária
e mestre em Ciências Ambientais.
