A digitalização dos condomínios avançou rapidamente nos últimos anos. Sistemas de controle de acesso, CFTV IP, portarias remotas, aplicativos de gestão, redes Wi-Fi compartilhadas, sensores IoT e integrações em nuvem passaram a fazer parte da rotina operacional. Esse avanço trouxe eficiência, mas também ampliou de forma significativa a superfície de ataque digital dos ambientes condominiais.
Diferente de empresas tradicionais, condomínios lidam com um ecossistema híbrido e distribuído, onde dispositivos físicos, sistemas de terceiros, prestadores de serviço e usuários finais convivem na mesma infraestrutura. Nesse cenário, o mapeamento de vulnerabilidades deixa de ser uma atividade pontual e passa a ser um processo contínuo e estratégico. É aqui que a Inteligência Artificial assume um papel central na proteção desses ambientes.
De acordo com o IBM Cost of a Data Breach Report 2024, organizações que utilizam IA e automação em seus processos de segurança reduzem, em média, 108 dias no tempo de detecção e contenção de incidentes, além de economizar cerca de US$ 1,76 milhão por violação. Em condomínios, onde equipes técnicas são enxutas e a resposta precisa ser rápida, esse ganho operacional é ainda mais relevante.
O uso de IA no mapeamento de vulnerabilidades vai além da simples varredura de falhas conhecidas. Algoritmos analisam fluxos de tráfego de rede, comportamento de dispositivos, acessos fora do padrão, integrações entre sistemas e logs históricos de eventos. Ao correlacionar essas informações, é possível identificar pontos cegos comuns em ambientes condominiais, como dispositivos mal configurados, acessos privilegiados não monitorados ou falhas em integrações com fornecedores externos.
Outro diferencial está no aprendizado contínuo. Modelos de Machine Learning evoluem conforme novos dados são coletados, ajustando padrões de risco de acordo com a realidade do condomínio. Isso permite priorizar vulnerabilidades que realmente representam ameaça, considerando impacto operacional, exposição de dados de moradores e possibilidade de exploração. Segundo o Gartner, até 2026 mais de 60% das organizações irão priorizar plataformas de segurança baseadas em análise comportamental e correlação inteligente de dados para gestão de riscos.
A análise do histórico de incidentes também ganha profundidade com IA. Ao entender como falhas anteriores ocorreram, quais sistemas foram afetados e onde a resposta foi ineficiente, os algoritmos conseguem recomendar melhorias práticas, como segmentação de redes, revisão de políticas de acesso, reforço de controles em sistemas críticos e priorização de correções.
Na prática, o mapeamento de vulnerabilidades com IA transforma a segurança condominial de reativa para preventiva. Reduz falsos positivos, otimiza recursos e direciona investimentos para o que realmente importa: proteger pessoas, dados e operações.
Ao aplicar essa abordagem de forma integrada, combinando inteligência artificial, automação e análise especializada, é possível apioar os condomínios na construção de uma postura de segurança contínua, resiliente e alinhada à evolução tecnológica.
*Por Gabriel Rimoli, diretor de Produtos e Alianças da NetSecurity
