Durante anos, muitos condomínios brasileiros trataram áreas comuns ociosas como um problema inevitável, ou simplesmente ignoraram seu potencial. Depósitos antigos, salas técnicas subutilizadas, áreas da garagem sem função definida e espaços improvisados para armazenamento acabam permanecendo parados por longos períodos. O curioso é que, na maioria dos casos, esses mesmos condomínios convivem com reclamações recorrentes sobre desorganização, uso indevido das áreas comuns e falta de espaço dentro dos apartamentos.
Isso acontece porque ainda existe uma cultura muito forte de que “área comum é custo, não oportunidade”. Síndicos e administradoras lidam diariamente com demandas urgentes, como segurança, manutenção e inadimplência, e projetos de reaproveitamento acabam ficando em segundo plano. Além disso, muitos condomínios não têm clareza sobre o valor real que um espaço ocioso pode gerar, seja reduzindo despesas, organizando áreas antes problemáticas ou criando novas formas de otimização do condomínio.
Nos últimos anos, esse cenário começou a mudar. Os síndicos estão mais profissionalizados e mais abertos a soluções tecnológicas e funcionais. Ainda existe resistência quando o tema envolve mudanças estruturais ou investimentos iniciais, mas ela tende a diminuir quando o projeto é apresentado com clareza, números objetivos e simplicidade de implantação. Os condomínios querem inovar; o que falta, muitas vezes, é informação.
Do lado dos moradores, a demanda é clara. As unidades residenciais estão menores, enquanto o volume de objetos só cresce: bicicletas, malas, documentos, itens sazonais, equipamentos esportivos e até estoques de pequenos negócios. Já para os síndicos, o desafio aparece de outra forma: acúmulo de objetos em áreas comuns, depósitos improvisados, aumento do risco de incêndio, infiltrações e conflitos entre moradores.
A solução mais eficiente é aquela que atende às duas pontas. Tenho acompanhado diversos condomínios que conseguiram transformar completamente sua dinâmica ao reaproveitar espaços antes esquecidos. Depósitos antigos foram convertidos em áreas de armazenamento organizadas, eliminando práticas informais e recorrentes de uso indevido. Em outros casos, pequenas unidades de self storage foram implantadas em áreas da garagem, permitindo a desativação de espaços inseguros, a redução de custos de manutenção e a melhora significativa da organização geral.
Antes de reaproveitar um espaço ocioso, alguns critérios são fundamentais. O primeiro é a segurança: o local precisa ser estruturalmente viável, ventilado e adequado para uso contínuo. O segundo é a demanda real, entender se os moradores de fato precisam de soluções de armazenamento. Também é essencial avaliar o impacto operacional: o projeto reduz problemas existentes ou cria novas demandas? A viabilidade financeira e a simplicidade de implantação completam a análise. Quanto mais simples e clara a proposta, maior tende a ser a aceitação em assembleia.
Soluções de armazenamento organizadas, internas ou externas, contribuem diretamente para a convivência no condomínio. Elas retiram itens pessoais das áreas comuns, reduzem riscos, diminuem conflitos e trazem mais previsibilidade para a administração. Para os moradores, significam praticidade, segurança e facilidade de acesso. Para os síndicos, menos ocorrências e menos desgaste operacional.
Os impactos positivos são visíveis: áreas comuns mais organizadas, redução quase total de objetos abandonados em corredores e garagens, maior segurança contra incêndios e infiltrações, síndicos menos sobrecarregados e moradores mais satisfeitos. Quando o condomínio oferece soluções objetivas para problemas cotidianos, o ambiente melhora como um todo, inclusive na percepção de valorização do imóvel.
Ainda existem mitos que precisam ser superados. Um dos mais comuns é a ideia de que self storage é caro ou complexo. Na prática, trata-se de uma solução acessível, simples e com retorno imediato em organização. Outro equívoco é acreditar que esse tipo de serviço atende apenas quem está de mudança, quando grande parte dos usuários busca armazenamento contínuo para itens pessoais ou operacionais.
Quando o tema chega às assembleias, a experiência mostra que projetos bem apresentados, com impacto visual e números claros, tendem a ser aprovados com mais facilidade. O que costuma gerar resistência são propostas pouco objetivas, sem clareza sobre benefícios e riscos evitados.
Para síndicos que desejam começar, a orientação é simples: mapear os espaços ociosos e identificar onde há acúmulo recorrente de objetos. Muitas das melhores transformações começaram pequenas, em áreas antes ignoradas. Enxergar o espaço como oportunidade, e não apenas como custo, é o primeiro passo para um condomínio mais organizado, seguro e funcional.
*Por Fernanda Lima, CM do M3storage Brasil
